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Testemunhos para a Igreja 4

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    Capítulo 56 — Influência cristã

    No relacionamento com outros, todos no hospital que são seguidores de Cristo devem procurar elevar o padrão de cristianismo. Tenho hesitado em mencionar isso, porque alguns que estão sempre prontos para ir a extremos concluirão ser necessário discutir com os pacientes sobre pontos de doutrina e falar durante as reuniões religiosas mantidas no hospital como se fosse aos irmãos em nossa própria casa de culto. Alguns não manifestam sabedoria ao dar o seu testemunho nessas pequenas reuniões que visam especialmente beneficiar os pacientes, mas em seu zelo se apressam e falam da terceira mensagem angélica, ou de outros pontos peculiares de nossa fé, enquanto esses doentes não entendem do que estão falando mais do que se lhes falassem em grego.T4 565.1

    Pode ser adequado introduzir esses assuntos em reuniões de oração dos fiéis; todavia, não onde o objetivo é beneficiar aqueles que nada sabem de nossa fé. Devemos adaptar nossas orações e testemunhos à ocasião e ao grupo presente. Aqueles que não podem fazer isso não devem ir a tais reuniões. Há temas que os cristãos podem em qualquer tempo se demorar com proveito, tais como a experiência cristã, o amor de Cristo e a simplicidade da fé; e se o próprio coração estiver imbuído do amor de Jesus, permitirão que a luz brilhe em toda oração e exortação. Permitam que os frutos da verdade santificadora sejam vistos na vida, no exemplo de santidade, e isso causará uma impressão que nenhuma influência oposta pode contradizer.T4 565.2

    É uma vergonha ao nome de cristão, que tão pouca estabilidade e verdadeira religiosidade sejam vistas na vida de muitos que professam a Cristo. Quando trazidos em contado com as influências mundanas, ficam com o coração dividido. Inclinam-se para o mundo, em vez de para Cristo. A menos que haja poderoso entusiasmo para agitar os sentimentos, as pessoas jamais pensariam, pela sua conduta, que eles amavam a verdade ou eram cristãos.T4 565.3

    Alguns reconhecerão a veracidade do que escrevi, mas não farão nenhuma mudança radical; não podem discernir a atuação enganosa do coração carnal, e por causa de sua cegueira espiritual serão seduzidos pelas influências que corrompem e arruínam a alma. O encanto da tentação manterá sob sua fascinação aqueles que não vêem nem sentem seu perigo. Em toda a oportunidade favorável o adversário das almas os empregará como seus agentes, e agitará todo o elemento de depravação que existe em sua natureza não santificada. Manifestarão uma contínua tendência para o que é errado. O apetite e a paixão reivindicarão a condescendência. Os hábitos de anos serão revelados sob o forte poder das tentações satânicas. Se tais pessoas estivessem a muitos quilômetros de qualquer de nossas instituições em Battle Creek, a causa de Deus seria muito mais próspera.T4 565.4

    Tais pessoas poderiam reformar-se, se tivessem qualquer senso de sua condição e da perniciosa influência que exercem, e fariam esforços decididos para corrigir os seus erros. Mas elas não meditam, não oram nem lêem as Escrituras como devem. São frívolas e volúveis. Não estão ancoradas em nada. Aqueles que querem ser fiéis e exercer uma influência salvadora sobre outros, encontram nesse grupo uma pedra de tropeço em seu caminho, e sua obra é dez vezes mais difícil do que de outro modo seria.T4 566.1

    Foi-me mostrado que os médicos devem entrar em uma relação mais íntima com Deus, e erguer-se e trabalhar ardorosamente em Sua força. Eles têm uma parte de responsabilidade a desempenhar. Não só a vida dos pacientes, mas a salvação deles está em jogo. Muitos que são beneficiados fisicamente podem, ao mesmo tempo, ser grandemente auxiliados no sentido espiritual. Tanto a saúde do corpo como a salvação da alma dependem em grande parte do procedimento dos médicos. É da máxima importância que eles sejam corretos, que não tenham apenas o conhecimento científico, mas o conhecimento da vontade e dos caminhos de Deus. Grandes responsabilidades repousam sobre eles.T4 566.2

    Meus irmãos, vocês devem ver e sentir sua responsabilidade, e, em face dela, humilhar a alma diante de Deus e implorar-Lhe sabedoria. Vocês não têm compreendido quanto a salvação das almas, daqueles cujo corpo estão procurando aliviar do sofrimento, depende de suas palavras, atos e comportamento. Estão realizando obra que deve suportar a prova do juízo. Devem proteger a própria alma contra os pecados do egoísmo, da auto-suficiência e da confiança própria.T4 566.3

    Vocês devem preservar a verdadeira dignidade cristã, mas evitar toda presunção. Sejam estritamente honestos de coração e vida. Permitam que a fé, à semelhança da palmeira, estenda as suas penetrantes raízes por baixo das coisas que aparecem, e obtenha o refrigério espiritual das fontes vivas da graça e da misericórdia de Deus. Há “uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. João 4:14. Vocês devem receber vida dessa fonte oculta. Se vocês se despirem do egoísmo e fortalecerem sua alma pela constante comunhão com Deus, poderão promover a felicidade de todos com quem entrarem em contato. Notarão os negligenciados, informarão os ignorantes, encorajarão os oprimidos e desanimados, e, na medida do possível, aliviarão os sofredores. E não só indicarão o caminho para o Céu, mas vocês mesmos andarão nele.T4 567.1

    Não se contentem com conhecimento superficial. Não exultem por causa de lisonjas, nem se oprimam por motivo de censuras. Satanás os tentará a proceder de tal maneira que sejam admirados e lisonjeados; mas devem desviar-se de seus ardis. Vocês são servos do Deus vivo.T4 567.2

    Seu trato com os enfermos é um procedimento exaustivo, e consumiriam gradualmente as fontes da vida caso não houvesse nenhuma mudança, nenhuma oportunidade para recreação, e se anjos de Deus não os guardassem e protegessem. Se vocês pudessem ver os muitos perigos através dos quais são guiados a salvo cada dia por esses mensageiros do Céu, a gratidão brotaria de seu coração e encontraria expressão em seus lábios. Se fizerem de Deus a sua força, poderão, sob as circunstâncias mais desanimadoras, atingir uma altura e uma amplitude de perfeição cristã que dificilmente pensariam ser possível alcançar. Seus pensamentos podem ser tão elevados, vocês podem ter tão nobres aspirações, percepções claras da verdade e propósitos de ação que serão elevados acima de todos os motivos sórdidos.T4 567.3

    Serão necessárias tanto reflexão como ação, se desejarem alcançar perfeição de caráter. Conquanto postos em contato com o mundo, devem estar em guarda a fim de que não procurem com tanto empenho o aplauso dos homens e vivam de acordo com sua opinião. Andem com cuidado, se desejam prosseguir com segurança; desenvolvam a graça da humildade e confiem a Cristo a sua alma indefesa. Vocês podem ser, em muitos sentidos, homens de Deus. Em meio da confusão e tentação das multidões profanas, podem manter, com perfeita suavidade, a independência da alma.T4 568.1

    Se mantiverem comunhão diária com Deus, aprenderão a avaliar os homens como Ele os avalia, e as obrigações de abençoar a humanidade sofredora, que sobre vocês repousam, encontrarão uma resposta voluntária. Não são de vocês mesmos; seu Senhor possui sagradas reivindicações sobre suas supremas afeições e sobre as mais elevadas realizações de sua vida. Ele tem o direito de utilizar o seu corpo e o seu espírito, ao mais pleno grau de suas faculdades, para Sua própria honra e glória. Sejam quais forem as cruzes que lhes seja exigido levar, os esforços ou sofrimentos a vocês impostos por Sua mão, vocês devem aceitar sem murmuração.T4 568.2

    Aqueles para quem vocês trabalham são seus irmãos na dor, sofrendo perturbações físicas e a lepra espiritual do pecado. Se vocês são em algum sentido melhores do que eles, isto deve ser creditado à cruz de Cristo. Muitos estão sem Deus e sem esperança no mundo. Eles são culpados, corruptos e degradados, escravizados pelos ardis de Satanás. Todavia, são essas as pessoas a quem Cristo veio do Céu para redimir. Eles são objeto da mais terna compaixão, simpatia e incansável esforço, pois estão à beira da ruína. Sofrem de desejos insatisfeitos, paixões desordenadas e pela condenação de sua própria consciência; são infelizes em todo o sentido da palavra, pois estão perdendo a posse desta vida e não possuem perspectiva alguma da vida futura.T4 568.3

    Vocês têm um importante campo de trabalho, e devem ser ativos e vigilantes, prestando obediência alegre e irrestrita aos reclamos do Mestre. Tenham sempre em mente que seus esforços para reformar outros devem ser feitos no espírito de invariável bondade. Nada jamais conseguirá mantê-los afastados daqueles aos quais vocês querem auxiliar. Vocês devem conservar na lembrança dos pacientes o fato de que, ao sugerirem a reforma de seus hábitos e costumes, lhes estão apresentando não o que é para arruiná-los, mas para salvá-los; que, enquanto deixam o que estimaram e amaram até aqui, devem edificar sobre um fundamento mais firme. Ao mesmo tempo que a reforma deve ser defendida com firmeza e resolução, toda aparência de fanatismo ou espírito autoritário deve ser cuidadosamente evitada. Cristo nos deu preciosas lições de paciência, tolerância e amor. Rudeza não é força; nem a prepotência, heroísmo. O Filho de Deus era persuasivo. Ele Se manifestou para atrair a Si todos os homens. Seus seguidores devem estudar-Lhe mais atentamente a vida e andar na luz de Seu exemplo, seja qual for o sacrifício próprio. Deve-se manter a reforma, contínua reforma, perante o povo, e seu exemplo deve fortalecer os seus ensinamentos.T4 568.4

    O caso de Daniel foi-me apresentado. Conquanto fosse um homem de paixões semelhantes às nossas, a pena da inspiração o apresenta como de um caráter imaculado. Sua vida nos é dada como brilhante exemplo do que um homem pode tornar-se, mesmo nesta vida, se fizer de Deus a sua força e sabiamente aproveitar as oportunidades e privilégios ao seu alcance. Daniel foi um gigante intelectual; contudo, estava continuamente buscando maior conhecimento, mais elevadas realizações. Outros jovens tinham as mesmas vantagens, mas eles não dedicaram, como ele, todas as energias em busca da sabedoria — o conhecimento de Deus como revelado em Sua Palavra e Suas obras. Embora Daniel fosse um dos maiores homens do mundo, não era orgulhoso nem auto-suficiente. Sentia a necessidade de refrigerar sua alma com oração, e cada dia era encontrado em fervorosa súplica perante Deus. Ele não se privava desse privilégio, mesmo quando uma cova de leões estava aberta para recebê-lo se continuasse a orar.T4 569.1

    Daniel amava, temia e obedecia a Deus. Todavia não fugiu para longe do mundo para evitar sua corruptora influência. Na providência de Deus ele devia estar no mundo, todavia não ser do mundo. Com todas as tentações e fascinações da vida da corte em torno de si, ele permaneceu na integridade de sua alma, firme como uma rocha em sua aderência aos princípios. Ele fez de Deus sua força e não foi por Ele abandonado no tempo de sua maior necessidade.T4 569.2

    Daniel era verdadeiro, nobre e generoso. Conquanto estivesse ansioso para estar em paz com todos os homens, não permitiria que qualquer poder o apartasse do caminho do dever. Estava disposto a obedecer àqueles que tinham poder sobre ele, enquanto pudesse fazê-lo em harmonia com a verdade e a justiça; mas reis e decretos não podiam fazê-lo desviar-se de sua aliança com o Rei dos reis. Daniel tinha apenas dezoito anos quando foi levado a uma corte pagã a serviço do rei de Babilônia; e por ser jovem, sua nobre resistência ao erro e sua firme adesão ao direito são os pontos em que mais é admirado. Seu nobre exemplo deve comunicar força aos provados e tentados, mesmo no tempo presente.T4 570.1

    Uma estrita aceitação dos requisitos bíblicos será uma bênção, não somente para a alma, mas para o corpo. O fruto do espírito não é somente amor, alegria e paz, mas também domínio próprio. Somos instados a não contaminar o nosso corpo, pois ele é templo do Espírito Santo. O caso de Daniel nos mostra, que, através de princípio religioso, os jovens podem triunfar sobre a concupiscência da carne, e permanecer firmes aos requisitos de Deus mesmo que custe grande sacrifício. Que seria se ele tivesse se comprometido com aqueles oficiais pagãos, e cedido à pressão, da ocasião, comendo e bebendo como era costume entre os babilônios. Esse passo errado provavelmente conduziria a outros, até que sua ligação com o Céu seria interrompida, e ele teria sido dominado pela tentação. Mas enquanto ele se apegou a Deus com confiança inabalável, o espírito de poder profético veio sobre ele. Embora tenha sido instruído pelos homens nos deveres da vida da corte, foi ensinado por Deus a ler os mistérios dos tempos futuros.T4 570.2

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